teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste
Seção : Cinema - 22/02/2009 04:00
Paisagem submersa
Roberto Bellini, premiado pelo Filme em Minas, mostra a imagem que os lugares projetam e gosta de brincar com o que está latente
Gracie Santos - EM Cultura
|
“Interesso-me muito pela imagem que os lugares projetam/emanam e sobre o que aquilo pode dizer. Gosto de perceber o que está latente num espaço e brincar um pouco com isso. Caso, por exemplo, dos rios subterrâneos de BH, que as pessoas não veem, mas estão ali”, afirma. Já o premiado Jardim invisível foi filmado no estado do Texas, Estados Unidos, onde ele morava quando cursou o mestrado. A obra, Bellini conta, é um pouco a história da paisagem urbana: “Mostro a articulação urbanística daquele lugar (a universidade), que à noite ficava completamente vazio e tinha uma iluminação meio institucional. E, em cima disso, crio a história de um jardineiro, uma ficção sobre um cara aguando aquela coisa desértica à noite”. Para o artista, “nos EUA, se você não está em Nova York, mas numa cidade suburbana, sente uma certa frieza, estranheza”. Pergunte a Bellini se o que ele faz é cinema e ele dirá: “Não me preocupo com isso. Se fosse me preocupar, estaria perdido. Acho que, às vezes, o que faço passa perto. Tudo depende da ideia que se tem sobre cinema”. Ele cria obras com princípio, meio e fim e outras que fogem dessa linguagem linear e se transformam em instalações. “Quem está trabalhando não se ocupa de definições. Nunca penso: vou fazer um filme. De repente, um filme vem surgindo, uma instalação vem surgindo. As coisas vão aparecendo, acontece de tudo.” Projeção Roberto Bellini confessa que sempre achou que fosse ser desenhista, mas esse lado nunca conseguiu “tocar bem”. Ainda assim ele, que gosta de cartoons, continua desenhando bastante. Foi depois de um intercâmbio de um ano feito pela UFMG no Texas e do incentivo natural na faculdade, em BH, onde já enveredava pela área de transmídia, que Bellini decidiu fazer o mestrado nos Estados Unidos. “Lá comecei a me interessar ainda mais por vídeo. Depois da experiência inicial, voltei e fiquei no Texas durante três anos, fazendo mestrado.” Nos EUA, o videoartista percebeu que eles são muito focados nos próprios trabalhos, que há muitas galerias de arte pequenas, que dão espaço a todos, “o que é bem legal, pois o cara vai construindo uma carreira aos poucos, no seu país”. Dependência Já no Brasil, o que se vê, na sua opinião, é que as pessoas se projetam primeiro internacionalmente, para depois terem chances de mostrar sua produção no país. “Aqui dependemos de uma grande galeria ou de uma instituição. Ainda assim, é preciso primeiro crescer lá fora”, diz. Apesar de trajetória ainda recente, ele demonstra saber bem o que fazer para se projetar e escolher eventos dos quais participar: “Existem festivais e editais em que meu trabalho não se encaixa. Você tem que filtrar bem, senão gasta muito dinheiro com Sedex (risos). E esse é um custo invisível, que ninguém repõe”. Com o tempo, o videoartista diz que é possível ir conhecendo os festivais, selecionando bem, pois há alguns que são apenas de cinema. O perfil de sua obra, como ele próprio define, é experimental. Quem quiser conhecer seus trabalhos pode entrar no www.robertobellini.com e, com certeza, perceberá o motivo de o jovem artista estar conquistando espaço. |



Aguarde.....