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Seção : Cinema - 22/03/2009 16:55
Frost/Nixon registra embate entre ex-presidente e apresentador 
Tiago Faria - Correio Braziliense
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Um dos maiores duelos políticos dos anos 1970 foi travado na intimidade de um estúdio improvisado de tevê. Diante das câmeras, o entrevistador inglês David Frost arrancou um inesperado pedido de desculpas de Richard Nixon, três anos depois do escândalo do Watergate. A expressão tensa do ex-presidente, finalmente confrontado com os próprios erros, rendeu um sucesso de audiência acompanhado por mais de 45 milhões de espectadores. Frost / Nixon, que estreia com atraso em Brasília, reconstitui os bastidores do embate com uma intenção nem sempre bem resolvida: aliar a precisão de uma grande reportagem às cores primárias de uma produção de entretenimento. Operário-padrão da indústria do cinema, Ron Howard (O código Da Vinci, Uma mente brilhante) volta e meia simplifica os fatos para torná-los mais palatáveis ao público. O estilo do cineasta, francamente superficial, prefere a ação à reflexão. Que ninguém espere dele uma análise sobre o poder de influência da televisão ou do cenário político do final dos anos 1970. Objetivo, o diretor limita-se a focalizar o preparo e a gravação do talk show, transmitido em 1977, escorado em peça teatral de Peter Morgan. O roteiro (escrito por Morgan, vencedor do Oscar com A rainha) destrincha a entrevista como uma acirrada partida de boxe. A disputa custará caro ao lutador derrotado — seja ele quem for — e será resolvida depois de rounds tensos, agressivos. É uma estrutura narrativa que facilita a construção de uma atmosfera de suspense eficiente. A montagem ágil deve ter contado pontos na Academia de Hollywood, que indicou o longa a cinco Oscars (todos perdidos) — entre eles, o de melhor filme. Mas e o compromisso com os fatos, como fica? Três anos antes da constrangedora aparição na tevê, o político renunciou ao cargo para evitar o impeachment, envolvido nas denúncias de espionagem do Partido Democrata no hotel Watergate (em Washington). A vergonha abateu a Casa Branca. Mas, no discurso derradeiro, ao contrário do que era esperado, o presidente não assumiu culpa nem pediu perdão aos eleitores. Nixon (Frank Langella) pretendia usar o programa de televisão para voltar à vida pública. Por isso, aceitou o convite do inexperiente David Frost (Michael Sheen), um inexpressivo repórter de celebridades. A clara vantagem de Nixon, entretanto, esbarrou numa questão comercial. Frost só lucraria com a entrevista — uma produção independente ao custo de US$ 600 mil — se conseguisse provocar revelações poderosas o suficiente para impressionar os donos de redes de tevê. Realizada durante quatro dias, a série de encontros obedecia a uma pauta rígida de temas e era monitorada por um batalhão de assessores. Um espetáculo com tons circenses, mas, de certa forma, imprevisível. O desafio de Frost é dobrar a retórica sofisticada de Nixon, um performer na arte de engabelar jornalistas. Apesar de não demonstrar semelhanças físicas com o líder turrão, Frank Langella compõe um Nixon irritante de tão humano, que camufla as próprias derrotas numa pose impávida, controlada — uma atuação tão detalhista que paira acima do restante do filme. Enquanto Langella persegue a complexidade do personagem (regido por um código moral firme, mas duvidoso), Howard vai no sentido oposto, criando uma oposição clara entre a dupla de personagens. A entrevista marcou época por desnudar as incoerências do discurso de Nixon, que reconheceu ter decepcionado os norte-americanos. Para o diretor, a declaração veio à tona graças a um obsessivo trabalho de equipe e aos golpes inesperados disparados por Frost nos últimos assaltos. Mas teria sido apenas isso? “A televisão e o close-up criaram novos significados”, comenta Nixon, a certa altura. E ironiza, diante da apreensão da equipe de tevê: “Não sabia que faríamos o Ben-Hur.” Frost / Nixon pode não chegar a tanto. Mas, a seu modo, tem um quê de velhos épicos hollywoodianos. * O filme ainda não estreou nos cinemas de Belo Horizonte Assista ao trailer de Frost/Nixon![]() ![]() |




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