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Seção : Cinema - 25/03/2009 07:00

Rodrigo Santoro interpreta Raúl Castro em Che - O Argentino

Filme estreia esta sexta no Brasil

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 Europa Filmes/divulgação
"Trabalhar com Benicio Del Toro foi uma espécie de presente, já que é um ator que admiro e observo há muito tempo. Uma oportunidade de estar junto e aprender" - Rodrigo Santoro, ator
Conhecer Cuba era um sonho. Mas a viagem veio junto com uma missão. Rodrigo Santoro ficou um mês e meio na ilha fazendo pesquisas para seu novo personagem no cinema, Raúl Castro, que interpreta no filme Che, dirigido por Steven Soderbergh e protagonizado por Benicio Del Toro, que estreia sexta-feira no Brasil. “Na época em que fui para Cuba, Raúl ainda não era presidente. Não tinha quase nenhuma informação sobre ele, pois, na história da revolução, você encontra mais detalhes sobre Fidel e Che. O que fiz foi tentar entender como era o povo cubano, como era viver ali”, afirma Santoro. Interpretar um personagem real e ainda vivo não foi nada fácil e Rodrigo não teve a oportunidade de conhecer Raúl pessoalmente. Ele contou então com a ajuda de historiadores e de alguns documentos a que teve acesso.

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“O filme trata de personagens muito polêmicos, mitos conhecidos, mas que, na verdade, todo mundo faz uma ideia de quem sejam. Essa é a grande questão. Procurei me alimentar do máximo de informações possível para fazer um trabalho sem muito julgamento. Porque, se você julga o personagem que está fazendo, você o limita, e não é a melhor forma de se aproximar do ser humano.”

O filme gira em torno de Ernesto Che Guevara, desde seu exílio no México, passando pela Revolução Cubana, pela continuação da luta na África e na América Latina, até a sua morte, na Bolívia. Os outros personagens interagem com Che nas principais passagens da história. Assim, os fãs de Rodrigo Santoro não devem esperar vê-lo em muitos momentos. Sua passagem mais importante está logo no início do filme, ainda no México, quando ele apresenta Che ao irmão Fidel Castro. “A passagem em que Raúl apresenta os dois foi uma das coisas que descobri durante as pesquisas em Cuba. Uma informação que não estava no roteiro. Steve (o diretor) estava aberto a contribuições da equipe e a produção do filme me pediu para entregar tudo o que encontrasse durante a viagem.”

Além de atuar, Benicio Del Toro foi também um dos produtores do filme e se dedicou às pesquisas por sete anos antes das filmagens. “Trabalhar com ele foi uma espécie de presente, já que é um ator que admiro e observo há muito tempo. Uma oportunidade de estar junto e aprender. A forma como ele trabalha – a concentração, a profundidade, a seriedade – é muito interessante”, comenta Santoro.

A interpretação do ator porto-riquenho no filme é realmente impressionante, o que lhe rendeu, no ano passado, o Urso de Ouro no Festival de Cannes, quando o filme fez a sua estreia mundial. Mas, apesar do prêmio, as críticas não foram muito favoráveis. A revista norte-americana Variety disse que o filme tinha uma “impossibilidade comercial”, que era a sua extensão, quatro horas e meia de duração. Isso porque, em Cannes, o filme foi exibido por completo. Mas Santoro não considera o filme muito longo. “Uma revolução que levou quase quatro anos para ser feita, quatro horas está bem justo”.

Em resposta às críticas, a estratégia de distribuição foi dividir o longa em duas partes. A primeira – Che: o argentino, que estreia sexta-feira – vai do exílio no México até o fim da Revolução Cubana. A segunda parte – Che: a guerrilha – mostra a continuação da revolução na Bolívia até os últimos momentos de vida de Che. As duas partes ganham unidade com o discurso emocionado de Che no encontro das Nações Unidas, em Nova York.

Imagem FIlmes/Divulgação
Com Jim Carrey em "I love you Phillip Morris"
Com Jim Carrey

Rodrigo Santoro é atualmente o ator brasileiro mais bem-sucedido em Hollywood, com atuações ainda pequenas, mas em filmes expressivos como 300, Simplesmente amor, As panteras – Detonando e na série Lost. Ele foi inclusive citado pela revista Forbes na lista dos atores mais valiosos do mundo, é certo que na posição 1.041 de uma lista de 1.400 nomes, mas ser lembrado não deixa de ser uma conquista.
Apesar do sucesso, o ator não revela seus planos para o futuro e diz que o segredo é não planejar muito a carreira. “A vida ensina que a gente não controla nada. Não gosto de planejar para não idealizar muito. Vou indo de pouco a pouco. Tento dar um direcionamento, mas acho importante estar aberto a novas possibilidades”, filosofa.

Em junho, estreia no Brasil a comédia em que atua ao lado de Jim Carrey, I love you, Phillip Morris, que teve sua primeira exibição mundial em janeiro, no Festival de Sundance. Rodrigo faz o primeiro namorado de Steven, personagem de Jim Carrey, e Ewan McGregor faz o papel de Phillip Morris. “É uma história real de um estelionatário genial, muito inteligente, que deu milhares de golpes e era gay. Mas o filme não é sobre a homossexualidade. É uma história de amor engraçadíssima, mas com momentos dramáticos. Fiquei muito surpreso com a mistura do drama e da comédia na montagem final e Jim Carrey está excepcional”, garante.

Santoro também está no elenco do filme The post grad survivor guide, comédia ainda sem título em português que estreia nos Estados Unidos em agosto, sem data acertada para o Brasil.

Televisão e futebol

Apesar da projeção internacional ascendente, Rodrigo Santoro continua investindo em projetos nacionais. De volta à televisão, ele está no elenco da minissérie Som e fúria, dirigida por Fernando Meirelles, sobre uma trupe de teatro que tenta montar Sheakespeare, onde atua ao lado de Andréa Beltrão, Paulo Betti, Cacá Rosset, Daniel de Oliveira e outros. “Televisão não está fora dos meus planos. Acabei de fazer, em novembro do ano passado, a adaptação dessa série canadense em 12 capítulos que estreia na Globo em junho”, comenta Rodrigo.

Em busca de novos desafios, ele se aventura, pela primeira vez, no papel de coprodutor de um longa nacional que se chamará Heleno, dirigido por José Henrique Fonseca. “Muita gente não conhece, mas Heleno de Freitas foi um jogador de futebol, do final dos anos 1940. Um dos primeiros craques que o Brasil já teve. O filme será rodado provavelmente em outubro, e parte das filmagens será feita em Minas. As datas ainda não estão confirmadas, pois estamos na fase final de captação e está sendo muito difícil”, explica o ator, empolgado com a nova empreitada, mas, ao mesmo tempo, sentindo as dificuldades econômicas de se filmar no Brasil.

Assista ao trailer de Che - O Argentino