Divirta-se Notícia - À caça de talentos

Divirta-se

Seção : Cinema - 15/07/2009 12:22

À caça de talentos

Consórcio Mineiro de Audiovisual abre inscrições para pessoas interessadas em trabalhar em várias áreas do cinema. O objetivo é formar técnicos e suprir demandas do mercado

Walter Sebastião - EM Cultura
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Euler Júnior/EM/D.A Press
"Gostaríamos de aliar o talento dos que estão em atividade à formação de outras gerações de profissionais" - Geraldo Veloso, cineasta
Procura-se interessado em trabalhar com roteiro, direção, interpretação, produção, fotografia, som, edição, cenografia, figurinos, maquiagem e trilha sonora em produções audiovisuais. Profissionais podem se inscrever, mas não é necessária experiência, pois serão oferecidas oficinas sobre cada uma dessas atividades. Solicita-se que sejam pessoas realmente decididas a trabalhar numa dessas áreas. O objetivo é formar equipes técnicas e artísticas para cerca de 10 projetos de curtas e longas-metragens para televisão e cinema, de diversos diretores. A convocação é do Consórcio Mineiro de Audiovisual, dirigido pelo cineasta Geraldo Veloso.

“É desgastante ter de formar, desfazer e rearticular novamente, a cada realização, complexa equipe de trabalho para criação de produtos audiovisuais. Em vez de ficarmos procurando, sozinhos, condições para a realização de um projeto, estamos criando a cultura da colaboração”, explica Geraldo Veloso. Resumindo: trata-se de política de otimização de recursos humanos, técnicos e materiais. A ação tem o objetivo de superar um problema crônico do cinema brasileiro, que gera atraso das atividades e prolonga o período de realização de um filme.

LABORATÓRIOS A proposta, explica Geraldo Veloso, engloba três núcleos-laboratórios: o de produção audiovisual, “que reúne meios técnicos para realização de um filme, de figurinos a equipamentos, passando por escolha das locações”; o de dramaturgia, que vai ensinar a preparar elenco e roteiros; e o técnico, ligado à fotografia, captação de áudio e edição.

“Melhoramos muito, mas ainda é problema do cinema brasileiro o número limitado de técnicos, fotógrafos, produtores, roteiristas e até de diretores. Gostaríamos de aliar o talento dos que estão em atividade à formação de outras gerações de profissionais”, observa. “Já vi gargalos, oscilações. Não podemos prescindir do governo, mas não podemos depender só dele. Estou apostando no crescimento da produção audiovisual brasileira”, afirma o cineasta.

Ele lista vários motivos para estar otimista. “Temos feito bons filmes, conquistamos know-how na área, o público gosta de filmes brasileiros e falados em português. Depois, o mercado mudou. Temos DVDs e televisão com dezenas de canais, que têm exibido filmes antigos e novelas, que são um longa-metragem todo dia. Nunca estivemos tão impregnados de audiovisual como hoje”, enumera Veloso. Para ele, a sala de cinema é só um espaço entre outros – não necessariamente o mais importante.

Com relação à exibição, Veloso diz que a proposta é trabalhar para abrir frentes. Inclusive, criando unidades móveis, com projetor digital, levando os trabalhos a praças públicas, ginásios esportivos e centros culturais. O realizador diz que, tradicionalmente, Minas Gerais forma quadros para o cinema brasileiro. “Formamos pensamento cinematográfico. Mas, se tivéssemos investimentos pesados, poderíamos fomentar, por exemplo, o desenho animado, que é o cinema do momento, e faturar muita grana”, afirma o cineasta. Ele chama a atenção para a intensa atividade desenvolvida na Escola de Belas- Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. “Cinema produz emprego e riqueza, dá visibilidade ao estado e traz turistas”, lembra.

PROJETOS O recrutamento promovido pelo Consórcio Mineiro de Audiovisual engloba os seguintes projetos: Um olhar particular, seriado de 12 capítulos sobre comunidades mineiras; Trilogia urbana, telefilmes de longa-metragem, de Paulo Vilara; Retratos 3x4/1 e 2, curtas de ficção; Alguns vieram correndo, longa-metragem de Geraldo Veloso.

A primeira série já tem três filmes prontos: Miraí, de Marcos Pimentel; Varginha, de Geraldo Veloso; Cataguases, de Fábio Carvalho, realizados em 2007, lançados em 2008 e já exibidos na TV Minas. Atualmente, a exibição deles é negociada com outros canais.

Vêm sendo preparados para integrar a série Um olhar particular mais três trabalhos: Juiz de Fora, Leopoldina e Muriaé. Todos os filmes foram feitos com roteiro e equipes formados a partir de oficinas realizadas nas cidades enfocadas. “São visões poéticas das comunidades de Minas Gerais”, explica Geraldo Veloso. Para ele, o processo de criação, além de trazer veracidade à realidade, está semeando interesse pelo cinema. “Em todos esses lugares, deixamos jovens que já estão elocubrando seus filmes. Em algumas cidades, eles já estão em andamento”, conta.

O Consórcio Mineiro de Audiovisual surgiu em 2006. O Centro de Estudos Cinematográficos e o Instituto Humberto Mauro foram convidados a se unir em torno de interesses complementares. Os interessados em se inscrever podem obter informações no endereço consorcio.av@gmail.com. Os responsáveis se comprometem a responder individualmente às mensagens. Eventualmente, serão pautadas reuniões e entrevistas para esclarecimento de dados do projeto e seus desdobramentos.