teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste teste
Seção : Cinema - 21/10/2009 10:44
Alô alô Terezinha - Balançando a pança e buzinando a moça
Documentário sobre o apresentador Chacrinha, de Nelson Hoineff, recupera a história e influência de um dos maiores ícones da cultura popular brasileira
Mariana Peixoto - EM Cultura
|
Veja mais fotos de Alô alô TerezinhaVinte e um ano após a morte de Abelardo Barbosa, a figura do apresentador bonachão, que produzia bordões impagáveis e não tinha papas na língua, permanece imbatível no universo televisivo. Com o documentário Alô alô Terezinha, que chega aos cinemas no dia 30, Hoineff está longe de fazer um convencional retrato biográfico do Velho Guerreiro. Assim como o próprio Chacrinha, o longa-metragem veio para confundir e não para explicar. “O que me interessa é a transgressão e no Chacrinha ela se manifesta de maneiras diferentes. Havia mil formas de montar o universo dele, e elegi montá-lo o colocando como centro de uma constelação onde gravitam astros, chacretes e calouros”, explica Hoineff. A hora e meia do documentário foi resultante de edição de material com 150 horas de arquivo (50 da Globo e o restante entre Bandeirantes e a extinta Tupi) e outras 150 de gravações. Para cada personagem apresentado em antigas imagens das décadas de 1970 e 1980, há o correspondente para a atualidade (mais precisamente 2007, quando a equipe foi a campo). O número de participações é extensa e o mais diverso possível, como bem era o elenco dos programas do Chacrinha.
A parte inicial do filme traz Roberto Carlos, como o cantor mascarado, se apresentando no Cassino do Chacrinha. Uma outra cena, gravada recentemente, traz um ex-calouro xingando o Rei, dizendo ser ele o grande cantor do Brasil. Logicamente a performance dele é digna de vários abacaxis, troféus que colecionou nas passagens pelo programa. Outros artistas que aparecem no longa são Gilberto Gil, Cauby Peixoto, Agnaldo Timóteo, Jerry Adriani, Baby Consuelo, Fafá de Belém, Ney Matogrosso, Fábio Jr., Gretchen e Nelson Ned, entre outros. Já os calouros foram selecionados a partir do material de arquivo. “Algumas performances ficaram famosas. O que fizemos foi ver nas imagens o que havia de interessante e tentar localizar esse calouro”, continua Hoineff. Abacaxi, por exemplo, que teve seus 15 minutos de fama ao cantar num inglês impossível de ser compreendido sucessos de Liza Minelli (e vestido tal qual uma cantora de cabaré), aparece nos dias de hoje de terno e gravata, sem nenhum dente na arcada superior, trabalhando num comércio popular do Rio e se lembrando da “glória” de outras épocas. Há ainda o séquito que integrava o programa, como o onipresente ajudante de palco, Russo, além dos jurados. Por fim, a cereja do bolo, que são as chacretes. Dezoito delas aparecem no filme, desde as mais conhecidas, com destaque para Rita Cadillac, Índia Potira e Fátima Boa-Viagem. CONTRAPONTO TRISTE Ainda que a maior parte do depoimento dos artistas recaia nas lembranças, as chacretes vão além. Falam de sua vida pós-Chacrinha – e todas, com exceção de Cadillac, saíram do meio artístico. Levam vidas simples, a maior parte morando na periferia do Rio e em nada lembrando os tempos de TV. É por certo uma situação triste, um contraponto e tanto para a extravagância do programa de auditório. “O que fiz, e acho que fui muito bem-sucedido, foi humanizar essas mulheres. Quando você falava em chacrete, por definição pensa em um monte de bundinhas gostosas. Mas há uma mulher atrás que tem sonhos, aflições e decepções e foi exatamente isso que a gente mostrou”, afirma Hoineff. Em vez de colher meros depoimentos, o diretor armou algumas situações. Para Rita Cadillac, por exemplo, a equipe do documentário convidou o criador de uma das comunidades do Orkut dedicadas a ela. O rapaz foi até a casa da chacrete para conhecê-la. Terminou fazendo o que os fãs de Cadillac – hoje conhecida como atriz de filmes de sexo explícito – sonham: beijando, sem nenhum pudor, seu protuberante traseiro. “Não faria um filme sobre o Chacrinha somente baseado em depoimento”, justifica Hoineff, que, em janeiro, vai lançar outro documentário: Caro Francis, sobre o polêmico Paulo Francis. Do rádio à TV Nascido no interior de Pernambuco em 1917, José Abelardo Barbosa de Medeiros chegou ao Rio de Janeiro no início da década de 1940 depois de uma passagem pelo curso de medicina em Recife. Seu objetivo ao migrar para a então capital federal era trabalhar em rádio. Começou a carreira na Tupi e, em 1943, na Rádio Clube Niterói, criou o programa de marchinhas de carnaval Rei Momo na Chacrinha. O sucesso foi tanto que passou a ser chamado de Abelardo “Chacrinha” Barbosa. Continuou em rádio mesmo depois de ter entrado para a televisão – em 1956, na TV Tupi, com o programa Rancho alegre, que parodiava os faroestes. No ano seguinte, começou a apresentar a Discoteca do Chacrinha, também na Tupi. No início dos anos 1960 levou o programa para as TVs Excelsior e Rio. Em 1967, foi contratado pela TV Globo para apresentar a Discoteca do Chacrinha e A hora da buzina, rebatizado em 1970 como Buzina do Chacrinha. Cinco anos mais tarde, voltou para a Tupi; em 1978, mudou-se para a Bandeirantes e, em março de 1982, retornou à Globo. Até o início dos anos 1960, Chacrinha apresentava seu programas de terno e gravata. Depois, passou a se apresentar com figurinos espalhafatosos – o primeiro deles incluía um boné de disc-jóquei e um enorme disco de telefone para pendurar no pescoço. Durante o programa, usava uma buzina para desclassificar os calouros. Criou os bordões “Alô, Terezinha!”, “Quem não se comunica se trumbica”, “Na TV nada se cria, tudo se copia” e “Eu vim para confundir e não para explicar”. Além de TV e rádio, Chacrinha participou de vários filmes. Morreu aos 70 anos em 1988. Subir, subir Cantor que tem sua trajetória ligada diretamente aos programas de auditório, Biafra ganhou, nas últimas semanas, notoriedade graças a um vídeo que se tornou febre no YouTube. Na imagem, enquanto ele aparece cantando sua música mais conhecida, Sonho de Ícaro, é atingido por um parapente, o que se torna super engraçado por causa dos versos “Voar, voar/Subir, subir”. O incidente ocorreu durante as gravações para Alô alô Terezinha e a sequência aparece, sem cortes, no filme. Assista ao trailer de Alô alô Terezinha![]() ![]() |


Veja mais fotos de Alô alô Terezinha
Assista ao trailer de Alô alô Terezinha

Aguarde.....