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Seção : Cinema - 17/11/2009 11:10
Começa hoje a 42ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Abertura tem a estreia de Lula, o filho do Brasil, de Fábio Barreto, estrelado pelo ator mineiro Rui Ricardo
Ailton Magioli - EM Cultura
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Veja mais fotos de Lula, o filho do BrasilHistoricamente politizado, o mais duradouro evento cinematográfico do país – que teve três edições proibidas pela ditadura militar, na década de 1970 – também volta a apostar no documentário como destaque da atual cinematografia brasileira, com a preponderância do gênero entre os concorrentes da mostra competitiva. Dos seis longas-metragens inscritos, quatro são do gênero, enquanto os dois restantes são de ficção. Representado por uma goiana radicada no estado, Minas Gerais disputa o Troféu Candango de melhor filme com A falta que me faz, de Marília Rocha. Para marcar o início das festividades do 50º aniversário da capital federal, a ser comemorado no ano que vem, a 42ª edição do festival também vai exibir em primeira mão, no dia 24, o longa-metragem de ficção Brasília, a última utopia, que reúne episódios dos diretores Geraldo Moraes, Moacir de Oliveira, Pedro Anísio, Pedro de Castro, Roberto Pires e Vladimir Carvalho. A expectativa do coordenador é de que o próprio presidente Lula compareça hoje à sessão de pré-estreia nacional do filme de Fábio Barreto, que narra parte da trajetória que o levou à Presidência da República. Lula, o filho do Brasil narra a vida do futuro presidente do país desde o nascimento, em Garanhuns (PE), até a década de 1980, no ABC Paulista, quando o Partido dos Trabalhadores (PT), liderado pelo sindicalista, sequer havia sido fundado. O filme acaba quando Lula ainda preside o Sindicato dos Trabalhadores de São Bernardo do Campo, exatamente quando morre a mãe dele. “A intenção é mostrar um lado da vida privada de Lula, que a gente conhece pouco. Posso garantir que desconhecia a maioria dos fatos que o filme mostra sobre ele. Na verdade, ele foi feito a partir de depoimentos de Lula e da família, que gerou o livro homônimo de Denise Paraná”, relata o ator mineiro Rui Ricardo. SUCESSÃO DE PERDAS “Diria que, mais do que o sindicalista, o filme do Fábio mostra o homem que a gente não conhece”, acrescenta Rui, impressionado com a capacidade que Lula teve e tem de se transformar, diante das situações mais difíceis da vida. “Ele perde o dedo, perde a primeira mulher e o filho, perde a mãe. Passa por momentos de desemprego sem saber o que fazer”, recorda o ator, que, paralelamente ao emagrecimento, diante do fato de ter começado a fazer o filme pelo fim, também deixou crescer a barba cerrada, para se aproximar da imagem física do então sindicalista. “Esta coisa da semelhança física e da voz não eram a minha maior preocupação. O Fábio queria muito que a gente conseguisse atingir a emoção verdadeira, porque o resto viria com naturalidade. O Lula viveu tudo com muita intensidade”. Na pele de Lula amadurecido – outros três atores vivem a infância, a adolescência e a juventude do futuro sindicalista que se notabilizaria como presidente da República –, Rui Ricardo estreia no cinema sem grandes preocupações com o tamanho do papel que irá interpretar nas telas. “As pessoas me dizem da responsabilidade de viver o presidente, mas sou um pouco irresponsável. Não pensei muito sobre o assunto”, diz, sorridente ao telefone, de São Paulo, onde vive. Natural de Santa Maria do Suaçuí, no Vale do Rio Doce, depois de submetido e aprovado em teste para viver outro personagem do filme, a convite do próprio diretor Rui faz o segundo teste, por meio do qual se transforma em protagonista do longa. Oriundo do teatro, o ator, que foi criado em São Paulo, vive praticamente da arte da representação nos palcos, tendo feito participações em séries de TV. OPÇÃO PELO DOCUMENTÁRIO Distante da discussão que envolve o predomínio do documentário no Festival de Brasília, Marília Rocha, que representa Minas Gerais na mostra competitiva com A falta que me faz, não oculta a predileção pelo gênero. “É o que me interessa por enquanto”, afirma a jovem diretora, admitindo sentir maior liberdade de criação no documentário, que lhe rendeu dois elogiados longas-metragens anteriores: Aboio (2005) e Acácio (2008). Natural de Goianésia (GO), a diretora, radicada em Belo Horizonte há 13 anos, diz ter chegado à temática da atual produção – a transição da adolescência para a vida adulta – por acaso. Atraída pela beleza dos campos de flores da Cordilheira do Espinhaço, no distrito de Curralinho, em Diamantina, inicialmente ela queria fazer um filme sobre o local, historicamente ligado ao Ciclo do Ouro. Na pesquisa de campo, no entanto, conheceu Alessandra, Priscila, Shirlene e Valdênia, moradoras da localidade, duas delas irmãs e grávidas na época. Aí nasceu a ideia do longa, imediatamente acatada pelas meninas. “Trata-se do filme mais livre, solto e pessoal que eu já fiz”, garante a diretora, que depois de uma convivência de dois anos com as jovens filmou tudo em apenas duas viagens a Curralinho. “Elas ficavam conversando, fofocando entre elas, nem ligavam para a equipe”, recorda. A cineasta salienta que não se trata de um documentário tradicional. “Adorava vê-las atuando, sem roteiro, conscientes da presença da câmera e jogando ao mesmo tempo com isso”, conclui Marília 42º FESTIVAL Mostra competitiva (35 mm) Quarta-feira: Filhos de João – Admirável mundo novo baiano, de Henrique Dantas (documentário, Bahia) Quinta-feira: Perdão Mister Fiel, de Jorge Oliveira (documentário, Distrito Federal) Sexta-feira: Quebradeiras, de Evaldo Mocarzel (documentário, São Paulo) Sábado: O homem mau dorme bem, de Geraldo Moraes (ficção, Distrito Federal) Domingo: É proibido fumar, de Anna Muylaert (ficção, São Paulo) Segunda-feira: A falta que me faz, de Marília Rocha (documentário, Minas Gerais) Assista ao trailer de Lula, o filho do Brasil![]() ![]() |


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