Divirta-se Notícia - Cabeça a prêmio - Conflitos na fronteira

Divirta-se

Seção : Cinema - 26/01/2010 16:09

Cabeça a prêmio - Conflitos na fronteira

Marco Ricca se centra na construção dos personagens em sua primeira direção para o cinema

Silvia Dalben - Portal UAI
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Divulgação

Mato Grosso do Sul. Dois irmãos se dividem na condução dos negócios de uma próspera fazenda e no contrabando. Um local onde as desavenças são resolvidas na bala. É este o cenário do filme Cabeça a prêmio, um dos destaques da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes e que marca a estreia de Marco Ricca na direção de cinema.

O elenco é de estrelas, com Fúlvio Stefanini, Otávio Muller, Ana Braga (que volta a cena para atuar com sua filha), Alice Braga, Daniel Hendler, Eduardo Moscovis e Cássio Gabus Mendes. E foi com este elenco estrelar que Marco Ricca mais se preocupou na hora da direção. "A tendência do ator quando vai dirigir é de tentar ajudar. O meu filme é um filme de atores. Eu queria que fosse isso e eu forcei a ser isso. Eu não consigo deixar o ator mal, eu vou com ele até o fim. A base deste filme é a interpretação dos atores. E por já ter passado pelo processo, acho que compreendo melhor a alminha desses caras, que as vezes estão frágeis."

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A escolha pelos atores também foi bem característica, a começar por Otávio Muller, "o meu ator fetiche, não consigo fazer nada sem ele". Otávio interpreta Abílio, um dos irmãos que é um homossexual sarcástico. Para Marco, ele é o grande vilão do filme, "no limite insuportável". Alice Braga foi a primeira a entrar no elenco. Marco queria trabalhar com ela e com Fúlvio Stefanini e, como seriam pai e filha, tinha que arrumar uma atriz que combinasse com o biotipo da atriz.

Nada melhor então do que sua própria mãe, Ana Braga, que estava sem atuar há 25 anos, desde que tinha se tornado mãe. "Ela teve a generosidade de voltar para fazer esse filme e, para mim, a cena mais bonita está em suas mãos", revela Marco citando a cena em que Jussara entra de roupa na piscina depois de beber alguns goles a mais. Realmente, uma das cenas mais marcantes e que fica na memória do espectador.

O ator mais difícil de escolher foi o que interpretaria o matador Brito, pois este era o personagem que Marco Ricca queria fazer quando leu a obra de Marçal Aquino e se interessou em comprar os direitos autorais, que já haviam sido vendidos para Rodrigo Teixeira. Inicialmente, o filme seria dirigido por Karim Aïnouz, coincidentemente o homenageado de Tiradentes, mas o projeto não foi para frente e Marco comprou os direitos alguns anos depois, mas agora como diretor e produtor.

E Brito acabou caindo nas mãos de Eduardo Moscovis. "Ele me ligou um dia e disse que queria fazer o filme. Eu agradeci, mas disse que não tinha pensado nele. Mas depois, dentre várias opções que tinha, acabei me perguntando: 'Por que não o Du?'. Ele é um ótimo ator, as mulheres o adoram, é meu amigo e está a fim de comprar essa briga comigo", contou Marco no debate em Tiradentes. E Eduardo Moscovis faz um personagem surpreendente, que tem arrancado elogios da crítica e já recebeu vários convites para outros filmes após o Cabeça a prêmio.

Leia mais sobre o filme no blog Cine & série

Emmanuel Pinheiro/EM/D.A Press
Marco Ricca na Mostra em Tiradentes
DIRETOR X ATOR

Apesar de ser seu primeiro filme, Marco Ricca se mostra bastante seguro, e alguns chegam a apontar que não parece um filme de um diretor estreante. Para ele, isso é resultado de sua experiência como ator. "As pessoas começam a fazer seu primeiro longa novo. Eu sou um cara de quase 50 anos que vivi pelo menos 30 experiências cinematográficas com vinte e poucos diretores. E vi as qualidades e defeitos de todos eles."

Para ele, o interesse por se enveredar pela direção é uma extensão natural do ator, tanto que há vários tanto no cinema brasileiro quanto no mundial que já dirigiram ou dirigem filmes. "Chegou uma hora em que comecei a virar um ator insuportável, queria meter o dedo em tudo, criticava tudo. Queria fazer todos os personagens, tomar conta de tudo. Daí, fui dirigir, para colocar tudo o que tinha na cabeça e voltar a ser um ator mais tranquilo. Hoje, depois de dirigir este filme, tenho um carinho maior por cada diretor com quem trabalhei, por cada filme bom ou ruim que fiz."

Marco Ricca produziu e dirigiu Cabeça a prêmio, mas ainda não tem planos de um próximo filme. Ele agora está trabalhando na direção do espetáculo "A grande volta", que terá no elenco Rodrigo Lombardi e Fúlvio Steffanini. Esta foi a última peça traduzida por Paulo Autran.

Confira a cobertura da Mostra de Cinema de Tiradentes no blog da Carol Braga