Divirta-se Notícia - Jovens se divertem com programação cultural de Tiradentes

Divirta-se

Seção : Cinema - 28/01/2010 11:12

Jovens se divertem com programação cultural de Tiradentes

O dia só acaba depois da meia-noite

Walter Sebastião - EM Cultura
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Igor Amim/divulgação
O cineasta Luiz Carlos Lacerda, mais conhecido como Bigode, ganha homenagem dos alunos de oficina na Mostra de Tiradentes

A 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes é uma festa. Pelo menos para os jovens, presença marcante nesta edição do evento. A animada moçada tem de 16 a 20 e poucos anos. Com filmes, oficinas, debates e shows, a programação começa por volta das 10h e só termina depois da meia-noite. Para essa rapaziada, o conjunto de atividades é o que dá graça ao festival.

Voltada para o público de 16 a 24 anos, a oficina Audiovisual em novas mídias é dirigida a gente disposta a fazer filmes com o que esteja à mão, seja celular, câmera doméstica ou MP3. Em poucos dias, os alunos realizaram cerca de 20 filmes de 60 segundos. Um deles presta homenagem ao cineasta Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, personalidade do cinema nacional e referência em oficinas de iniciação à sétima arte.

Energia A estudante de cinema Tamiris Spinelli, de 19 anos, é fluminense e mora em Curitiba. Comparando os méritos do evento mineiro com os de outros festivais, ela diz que a mostra de Tiradentes é bem organizada e interage com a comunidade. “A curadoria tem foco e a energia é boa”, afirma. Somado à programação musical, o resultado “é uma festa cinematográfica”, define. A jornalista Ana Carolina, de 23 anos, que mora em Juiz de Fora, elogia a programação gratuita, que atualiza as informações do público sobre a produção brasileira. Além disso, Tiradentes é um charme, lembra Ana.

“Não é só cinema. Você acaba conhecendo a cidade, a nossa cultura. Os restaurantes, então, são muito bons’’, completa Eduardo Henrique Teixeira, de 23, que veio de Divinópolis. O trio participa da oficina de novas mídias e chama a atenção para as oportunidades de contato profissional e humano oferecidas pela mostra.

Ônibus O que faltou? Os três listam uma série de reivindicações: mais lojas que aceitem cartão de crédito; ampliação do sistema de banco 24 horas; cadeiras mais confortáveis nos espaços de exibição; elevação do piso do Cine Tenda, para melhorar a visibilidade dos filmes. E, ainda, mais horários de ônibus à noite entre Tiradentes e São João del-Rei, onde muitos jovens ficam hospedados.

As estudantes Isabela Raposo, Maria Clara e Daniela Dillan têm de 16 a 18 anos. Para reduzir os custos da viagem, o trio decidiu acampar. “A barraca tem goteira e a chuva complicou tudo”, conta Isabela. As meninas vieram a Tiradentes para o lançamento de Handebol, curta do qual participam.

Elas elogiam os filmes e os debates que reuniram diretores e críticos na cidade histórica. “Isso ajuda a compreensão da obra e traz reflexão. Nem pretendo fazer cinema, mas quero ficar por perto”, observa Daniela Dillan, estudante de engenharia florestal. Ela gostou do longa Natimorto, de Paulo Machline: “É surreal”.

COMIDA

Em Tiradentes, a rotina começa às 17h e vai até as sete da manhã, garantem Marcelo Gonçalves, de 21 anos, e João Victor, de 20, que vieram de Belo Horizonte. Marcelo estuda ciências biológicas; o amigo, artes visuais. O passeio tem sido melhor que o esperado. A dupla só desaprova o preço cobrado pela comida. “É caro”, reclama o estudante.

“A mostra traz filmes com muitos pontos de vista diferentes, que ficam na memória”, observa Marcelo. “Meio cinéfilo”, João Victor aprovou, sobretudo, os longas Inquilinos e Morro do Céu. “Gosto de obras com temáticas políticas, que têm um certo engajamento”, explica, deixando transparecer a crítica “a obras muito abstratas”.

QUINTA-FEIRA EM TIRADENTES

• Centro Cultural Yves Alves
Das 11h às 13h – Debates sobre o longa Um lugar ao sol, de Gabriel Mascaro, e com realizadores de curtas-metragens

• Cine Tenda
Das 16h30 às 18h – Exibição de curtas-metragens
20h – Belair, de Noa Bressane e Bruno Safadi
22h – A falta que nos move, de Christiane Jatahy

• Cine Praça
21h –Verdades de mulher, de Maria Luiza Aboim

O repórter viajou a convite da organização do evento