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Seção : Cinema - 01/02/2010 10:58
Zumbilândia yankee
Filme de Ruben Fleischer acerta ao levar míticos zumbis e heróis que os combatem para o dia a dia da sociedade norte-americana
Marcello Castilho Avellar - EM Cultura
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Veja mais fotos de ZumbilândiaO esqueleto da história é velho conhecido dos fãs do gênero. Epidemia transforma quase toda a população da Terra em zumbis ávidos de comerem carne. Os poucos que conseguem permanecer humanos precisam lutar o tempo todo para permanecerem vivos. Já vimos isso em obras tão distintas como Dawn of the dead, de George Romero, e o recente Eu sou a lenda, estrelado por Will Smith. A novidade de Zumbilândia não está no enredo, mas na maneira como lida com ele. Obras como Eu sou a lenda se baseiam essencialmente na ação, como se fossem quaisquer filmes do gênero. Dawn of the dead, por sua vez, lida com uma espécie de metafísica do terror, expõe o absurdo da condição humana a partir do absurdo da metáfora que apresenta. Zumbilândia tem um bocado de ação, mas ela não é seu elemento mais importante; trata do absurdo, mas não o leva àquela dimensão metafísica. Entre essas duas possibilidades, Ruben Fleischer constrói um estudo quase sociológico sobre a condição contemporânea. Confira os horários e onde está passando Zumbilândia Em geral, nos filmes de terror o espaço e o tempo reais são apenas exigências de ambientação. Mesmo em Dawn of the dead, com sua sarcástica crítica à sociedade de consumo, a ação beira o extemporâneo. Zumbilândia não. É filme nos Estados Unidos de hoje. O principal problema de nossos quatro heróis não são os zumbis, mas eles mesmos – o fato de que foram educados de certa maneira, o fato de que desejam certas coisas, o fato de que repetem certos comportamentos. E tudo isso – educação, desejo, comportamento – é histórico. Só que a sociedade para a qual as personagens são adequadas ruiu. Vemos, ao redor delas, apenas as ruínas daquele mundo – rodovias entulhadas de carros vazios, cidades desertas, um parque de diversões sem pessoas para divertir. Boa parte do humor de Zumbilândia vem daquela inadequação. Todos continuam a se comportar como fariam em nosso mundo: o caderno de regras de sobrevivência de Columbus, que sempre o salva – mas às vezes de maneira divertidamente inesperada –, o jeito de durão de Talahassee, os golpes que parecem saídos de filmes aplicados por Wichita e Little Rock – num mundo onde elas não têm mais ninguém em quem aplicar golpes. Tudo funcionaria nos dias de hoje, fala de pessoas de hoje, remete a filmes de hoje. Exatamente por isso, adequadíssimo aos espectadores e em completo descompasso com o mundo em ruínas que cerca as personagens. Assista ao trailer de Zumbilândia![]() ![]() |


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